O Savoy Residence insere-se numa zona consolidada do Funchal, marcada por grande heterogeneidade tipológica e variações topográficas relevantes. A opção por dois blocos, em vez de um único volume, permite maior desafogo, melhor exposição solar e uma abertura mais generosa às vistas, criando ainda espaço para jardins comuns e pátios privativos. Uma sebe define uma transição suave entre a Rua João Paulo II e o edificado, reforçando a relação entre a vivência urbana e o espaço habitado, sobretudo nas unidades do piso térreo.
A volumetria parte de uma matriz geométrica depurada, mas é intencionalmente desconstruída por avanços e recuos, grandes vãos e varandas que prolongam o interior e funcionam também como protecção solar. O betão estrutural à vista assume valor estético, enquanto os elementos cerâmicos verticais de grande formato, com padrão de mármore escuro, conferem profundidade e carácter às fachadas, reflectindo a envolvente e suavizando a leitura dos volumes.
No interior, a linguagem é contida e elegante, com grandes planos e linhas simples, combinando madeira escura e painéis cerâmicos claros. O conjunto integra ainda uma componente hoteleira com circuitos independentes, incluindo unidades de alojamento e áreas de bem-estar (spa e piscina interior), onde a presença de elementos verdes e materiais mais crus reforça uma ligação subtil ao universo dos jardins.